Se você viveu intensamente o rock alternativo dos anos 90, pode preparar o coração (e o bolso): a banda Live deve desembarcar no Brasil entre agosto e setembro de 2026. A informação foi antecipada pelo jornalista José Norberto Flesch, conhecido por cravar em primeira mão os principais shows internacionais no país.
Ele destacou o grupo norte-americano como os donos do hit “Pain Lies on the Riverside“, mas a verdade é que o show que veremos por aqui carrega uma bagagem enorme de sucessos e, curiosamente, de muita treta de bastidores.
Quem vem para o show do Live no Brasil em 2026?
Se você espera ver no palco a mesma química de adolescentes da Pensilvânia que formaram a banda em 1984, temos uma má notícia. A formação original já não existe. Hoje, o Live é capitaneado exclusivamente pelo vocalista e compositor principal Ed Kowalczyk.
Durante a turnê de 2026, Ed Kowalczyk será acompanhado por uma competente banda de apoio. O palco será dividido com Zak Loy (guitarra solo), Chris Heerlein (baixo) e Robin Diaz (bateria). Isso aconteceu porque, no ano de 2022, Kowalczyk simplesmente demitiu os outros três membros originais: Chad Taylor (guitarra), Patrick Dahlheimer (baixo) e Chad Gracey (bateria). E o motivo dessa ruptura parece ter saído de um roteiro de true crime.
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Golpes e processos: o que aconteceu com a formação original do Live?
A história da implosão do Live é no mínimo caótica. A banda chegou a terminar amigavelmente (por e-mail!) em 2009, tentou retornar com um novo vocalista (Chris Shinn, no álbum The Turn), e depois chegou a fazer as pazes com Ed Kowalczyk. Mas tudo voltou a dar muito errado por conta de um homem chamado Bill Hynes.
Apresentando-se como um suposto investidor rico, Hynes se aproximou dos integrantes com propostas mirabolantes de negócios, o que resultou na compra de um prédio na Pensilvânia que acabou desmoronando, e na criação de uma empresa de fibra óptica chamada United Fiber and Data. O problema? Segundo publicações da revista Rolling Stone, Hynes acabou em prisão domiciliar sob acusações de agressão a uma ex-namorada (que era funcionária da empresa) e virou alvo de investigações sobre um suposto roubo de mais de US$ 3,82 milhões dessa mesma companhia.
O caos financeiro e pessoal destruiu a confiança entre os músicos. Hoje, Ed Kowalczyk se recusa a ter contato com Chad Taylor, afirmando em entrevistas que ele seria um “narcisista” que manipula as pessoas, enquanto Taylor admite que foi um “otário” que confiou as finanças do grupo a um vigarista. O resultado é uma banda clássica se comunicando apenas através de advogados em meio a batalhas judiciais infindáveis.
Por que o Live fez tanto sucesso nos anos 90?
Apesar das polêmicas pesadas que mancharam o fim da formação clássica, o legado do Live na música é inquestionável. Eles venderam mais de 20 milhões de discos no mundo todo. Tudo começou a engrenar em 1991 com o lançamento de Mental Jewelry, que trazia letras de viés espiritual inspiradas no filósofo Jiddu Krishnamurti e atraía comparações imediatas com astros do rock alternativo como R.E.M. e o U2.
Mas o estrelato global veio mesmo com a obra-prima Throwing Copper (1994), que vendeu cerca de 8 milhões de cópias só nos Estados Unidos. É deste álbum que saíram os maiores hinos que, com certeza, estarão no setlist da turnê de 2026, incluindo faixas catárticas como “Lightning Crashes“, “Selling the Drama” e “I Alone“. A relevância da banda na década de 1990 rendeu ao Live participações nas lendárias edições do festival Woodstock de 1994 e 1999.
Quando foi a última vez que o Live tocou no Brasil?
A nostalgia baterá forte em 2026 porque já faz muito tempo desde a última vez que eles pisaram no nosso país. O Live tocou no Brasil pela última vez no ano de 2003, enquanto viajava o mundo promovendo o álbum Birds of Pray. Na ocasião, eles realizaram shows extremamente elogiados nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais de duas décadas depois, o possível show do Live em 2026 será a chance imperdível de reviver a energia e a voz rasgada de Ed Kowalczyk. Só não vá aos shows esperando ver os velhos amigos de adolescência dividindo os mesmos sorrisos no palco.
