Sabe aquela sensação de que o mundo está virado de cabeça para baixo e a gente só precisa de um lugar seguro para respirar? Foi exatamente dessa necessidade que nasceu Sanctuary, o sexto disco de estúdio do Evanescence, lançado neste dia 5 de junho de 2026. Se você esperava que Amy Lee voltasse após um hiato de cinco anos desde The Bitter Truth apenas para surfar na nostalgia de Fallen, pode ir se preparando para uma surpresa. A banda não veio para tocar mais do mesmo; eles vieram para exorcizar os demônios do nosso tempo.
O que mais chama a atenção logo de cara é como o Evanescence soa renovado e inquieto. A entrada da baixista Emma Anzai deu um peso absurdo e um novo fôlego à cozinha da banda, fazendo uma dobradinha poderosa com a bateria de Will Hunt, enquanto Tim McCord assumiu a guitarra ao lado de Troy McLawhorn.
Mas a verdadeira revolução aqui atende pelo nome de produção. Ao convidar pesos-pesados como Jordan Fish (ex-Bring Me The Horizon) e Zakk Cervini, além do veterano Nick Raskulinecz, o grupo abraçou texturas eletrônicas, batidas mais modernas e até alguns flertes inusitados.
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Susto bom
Logo na abertura com Beautiful Lie, a gente já toma um susto bom: tem uma batida que flerta com o hip hop criando uma tensão deliciosa antes de explodir para o rock pesado. Já Rapture entrega um riff de piano meio fantasmagórico que nos faz lembrar do pop gótico de Kerli, mas que logo mergulha de cabeça em sintetizadores pulsantes. E o que dizer de Calm Down? A faixa traz camadas de “glitch” eletrônico e até ecos de um coral gospel, mostrando que o Evanescence de 2026 abraçou de vez o que podemos chamar de “pop apocalíptico”, assim como Paramore, Gorillaz e Florence + the Machine vêm fazendo.
Liricamente, Amy Lee está mais afiada e combativa do que nunca. Durante a produção, o clima de desinformação, caos nas redes sociais e o turbilhão político das eleições americanas (com direito a recados diretos aos eleitores de Donald Trump) serviram de combustível para letras viscerais. O excelente single Who Will You Follow é uma pedrada sobre como somos manipulados por algoritmos e seguimos líderes cegamente. Já em About Us, a raiva toma conta em um refrão monumental, daqueles feitos para cantar a plenos pulmões em arenas lotadas. E Tell Me When You’ve Had Enough é um verdadeiro hino nu-metal que tem tudo para ser o ponto alto da nova turnê.
Evanescence raiz
Mas calma, os fãs daquela emoção dramática e vulnerável não ficaram órfãos. Pelo contrário. How Do I Heal, finalizada por Amy durante uma viagem ao Havaí, é uma balada lindíssima de piano e cordas (com o fiel parceiro Dave Eggar no violoncelo) que evoca ecos sutis de Enya e traz uma entrega vocal que rivaliza com a clássica My Immortal. Forever Without You é outro show à parte: a música vai se despindo de seus instrumentos aos poucos, deixando a voz crua de Amy Lee brilhar de um jeito quase desconfortável de tão íntimo.
A faixa-título Sanctuary, que traz até certas melodias de baladas de nomes como Michael Bolton e Phil Collins, resume o espírito do disco: a ideia surgiu em um show na Austrália, quando Amy percebeu que o verdadeiro santuário da banda (e dos fãs) é a conexão real através da música, longe das telas e das mentiras do mundo lá fora.
O disco ainda encontra espaço para o peso industrial de Self Destruct e fecha com a breve e esperançosa Wide Open Heart, provando que é preciso ter coragem para manter o coração aberto quando tudo lá fora tenta nos endurecer. É impossível também não citar o mega sucesso Afterlife (com co-produção de Alex Seaver e Tyler Demorest), que bombou na trilha do anime Devil May Cry da Netflix e devolveu a banda ao topo da Billboard. No contexto do álbum, ela se encaixa perfeitamente como uma ponte entre a mortalidade e a esperança.
Vale a pena ouvir Sanctuary, do Evanescence?
A verdade é que, no alto de seus mais de 20 anos de carreira, o Evanescence poderia facilmente se acomodar e viver de tocar seus sucessos antigos como fazem bandas contemporâneas como o Nightwish. Contudo, com Sanctuary, eles escolheram olhar corajosamente para o futuro. Não é um álbum perfeito e os puristas do rock gótico ou do metal podem torcer o nariz para o excesso de “glitches” em alguns momentos, mas é, sem dúvida, um trabalho de uma banda viva, inquieta e absolutamente relevante.
Ficha Técnica
- Álbum: Sanctuary
- Artista: Evanescence
- Data de Lançamento: 5 de junho de 2026
- Gravadoras: BMG / Sony / Music For Nations / Columbia
- Gêneros: Metal Alternativo, Nu-Metal, Rock Gótico, Hard Rock
- Duração: 49 minutos (Edição Padrão – 12 faixas)
- Produção: Jordan Fish, Zakk Cervini, Nick Raskulinecz, Alex Seaver e Tyler Demorest
- Formação:
- Amy Lee (Vocais principais, piano, teclados e programação)
- Troy McLawhorn (Guitarra e backing vocals)
- Tim McCord (Guitarra)
- Emma Anzai (Baixo e backing vocals)
- Will Hunt (Bateria)
