Super Bowl 2026: a noite em que a América dançou em espanhol (e o punk pediu passagem) – confira como foi cada show

Super Bowl 2026 como foi cada show do evento Fita DemoFoto: Reprodução

Se o jogo entre Seattle Seahawks e New England Patriots no Levi’s Stadium terminou com uma vitória defensiva de Seattle (29-13), o verdadeiro embate cultural aconteceu nos palcos. O Super Bowl 2026, ou Super Bowl LX, não foi apenas mais uma final da NFL; foi um manifesto. De um lado, o punk rock institucionalizado do Green Day na abertura; do outro, uma festa latina histórica comandada por Bad Bunny no intervalo, que cumpriu a promessa de fazer o mundo dançar — e pensar.

Abaixo, detalhamos como foi cada apresentação dessa noite que misturou perreo, política e polêmica.

Como foi o Show do Intervalo do Super Bowl 2026 com Bad Bunny?

Benito Antonio Martínez Ocasio, o Bad Bunny, já havia avisado: seria uma festa enorme dedicada à sua cultura,. E ele entregou exatamente isso, transformando o gramado em Santa Clara, Califórnia, em um pedaço de Porto Rico. O show de 13 minutos foi histórico por ser o primeiro liderado por um artista solo cantando inteiramente em espanhol.

O cenário e a narrativa visual

A apresentação começou com uma homenagem às raízes rurais da ilha. O cenário incluiu canaviais, vendedores de piragua (raspadinha), idosos jogando dominó e jíbaros (agricultores tradicionais) com seus chapéus de palha.

O design do palco, criado pela Yellow Studio, trouxe elementos arquitetônicos específicos:

  • Uma “casita” rosa, remetendo às casas porto-riquenhas.
  • Um terraço de tijolos lembrando os castelos do século 18 em San Juan.
  • Uma paisagem urbana compacta inspirada em Washington Heights (Nova York).

Setlist e convidados especiais: quem cantou com Bad Bunny?

A energia explodiu com sucessos como “Tití Me Preguntó” e “Yo Perreo Sola”. Mas o “Coelhão” não estava sozinho. A lista de convidados misturou música e cinema:

  1. Lady Gaga: Em uma reviravolta surpreendente, Gaga surgiu em um cenário de casamento para cantar “Die With a Smile” (seu dueto com Bruno Mars) em uma versão arranjada como salsa, tocada pela banda Los Sobrinos. Ela até arriscou passos de dança caribenha com Benito.
  2. Ricky Martin: O astro porto-riquenho apareceu sentado em cadeiras de plástico brancas (uma referência à capa do álbum de Bad Bunny “Debí Tirar Más Fotos”) para cantar “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, uma música sobre gentrificação e colonialismo.
  3. A “Casita” VIP: Embora não tenham cantado, Pedro Pascal, Cardi B, Jessica Alba, Karol G e outras estrelas estavam na estrutura da “casita”, simulando uma festa em casa (pari de marquesina), reforçando a ideia de comunidade e família escolhida.

A setlist completa incluiu:

  • Tití Me Preguntó
  • Yo Perreo Sola / Safaera
  • Voy a Llevarte Pa’ PR
  • Monaco
  • Die With a Smile (com Lady Gaga)
  • Baile Inolvidable / Nuevayol
  • Lo Que Le Pasó a Hawaii (com Ricky Martin)
  • El Apagón
  • Café Con Ron
  • DtMF.

Onde estava a política no show de Bad Bunny?

Mesmo sendo uma festa, a política estava presente nas entrelinhas e nos telões.

  • Crise Elétrica: Durante “El Apagón”, dançarinos subiram em postes de eletricidade que explodiam faíscas, uma crítica direta à rede elétrica falha de Porto Rico e aos apagões pós-furacão Maria.
  • Imigração e Identidade: Bad Bunny citou diversos países das Américas (incluindo o Brasil e os EUA) reafirmando que “América” é o continente todo, não apenas um país.
  • Liam Conejo Ramos: Em um momento tocante, ele entregou seu Grammy a um garoto, identificado como Liam Conejo Ramos, uma criança que se tornou símbolo da resistência contra as ações do ICE (polícia de imigração).
  • Mensagem Final: O show encerrou com a frase no telão: “The only thing more powerful than hate is love” (“A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”).

Donald Trump não gostou. O ex-presidente foi às redes sociais chamar a apresentação de “absolutamente terrível”, criticando o uso do espanhol e dizendo que “ninguém entende uma palavra”.

Assista ao show completo de Bad Bunny no Super Bowl 2026

Abertura Rock and Roll: como foi o show do Green Day?

Antes do chute inicial, o Green Day ficou encarregado de “abrir os trabalhos” com um medley de seus maiores sucessos. A banda, originária da própria Bay Area (região onde fica o estádio), tocou “Holiday”, “Boulevard of Broken Dreams” e “American Idiot”.

Polêmica “light” na TV vs. protesto nos bastidores

Muitos fãs esperavam um protesto ferrenho ao vivo, dado o histórico da banda. Na TV, a performance foi enérgica, mas considerada “segura” por alguns críticos, sem discursos inflamados,.

No entanto, a verdadeira “pimenta” aconteceu dois dias antes, numa apresentação pré-Super Bowl no Pier 29. Lá, o vocalista Billie Joe Armstrong mandou um recado direto aos agentes do ICE: “Larguem seus empregos de m****”, alertando que eles seriam descartados por políticos como Trump e J.D. Vance quando não fossem mais úteis,.

Durante a transmissão oficial, o destaque curioso ficou para o lendário quarterback Steve Young, que foi flagrado curtindo muito o show em cima do palco, tirando selfies e tietando a banda.

Assista ao show completo do Green Day no Super Bowl

Hinos e outras apresentações

A cerimônia solene contou com outras vozes poderosas:

  • Hino Nacional: Charlie Puth entregou uma versão “cheia de alma” (soulful) do Star-Spangled Banner, acompanhado de piano e coral, optando por uma abordagem técnica e segura.
  • America the Beautiful: Brandi Carlile fez uma interpretação sóbria e intimista, elogiada pela elegância.
  • Lift Every Voice and Sing: Coco Jones cantou o hino negro com arranjo orquestral, um dos momentos mais simbólicos do pré-jogo.

Saiba mais sobre o Super Bowl 2026

Bad Bunny recebeu cachê pelo show?

Assim como a maioria dos artistas do intervalo, Bad Bunny recebeu apenas a escala sindical (cerca de US$ 1.000 por dia). A NFL cobre os custos de produção, que são milionários, mas o artista não recebe um cachê “de show” tradicional, lucrando com a exposição global.

Quem ganhou o Super Bowl 2026?

O Seattle Seahawks venceu o New England Patriots por 29 a 13. O MVP da partida foi o running back Kenneth Walker.

Houve algum show concorrente?

Sim. O grupo conservador Turning Point USA organizou o “All-American Halftime Show” com Kid Rock, Lee Brice e outros, transmitido via YouTube como uma “alternativa patriótica” ao show de Bad Bunny, mas o evento enfrentou problemas técnicos e de produção,.

By Wil Spiler

Formado em Design Gráfico e pós-graduado em Jornalismo e Marketing Digital, apaixonado pela cultura em geral e por esportes. Trabalhei em grandes redações como TV Globo, GloboNews, Lance!, SRzd, entre outras.

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