Caso Kurt Cobain: novo estudo forense reacende a polêmica sobre a morte do ídolo grunge

Caso Kurt Cobain novo estudo forense reacende a polêmica sobre a morte do ídolo grunge ex-vocalista do Nirvana (1)Foto: Divulgação

Parecia um capítulo encerrado na história do rock, mas a morte de Kurt Cobain voltou a dominar as manchetes. Mais de três décadas após o líder do Nirvana ser encontrado morto em Seattle, um novo estudo independente, publicado no International Journal of Forensic Science, chegou com os dois pés na porta, contestando a versão oficial de suicídio e levantando, com base em ciência forense, a hipótese de assassinato.

Se você sempre achou que essa história tinha pontas soltas, não está sozinho. Vamos desenrolar o que esse novo grupo de sete cientistas descobriu e por que isso está causando tanto barulho agora.

A “matemática” da heroína não bate?

O ponto central da nova revisão é puramente fisiológico. Segundo a investigação original de 1994, Cobain teria injetado uma quantidade massiva de heroína antes de disparar a espingarda contra si mesmo. Estamos falando de uma dose cerca de dez vezes superior ao que seria fatal até para viciados pesados.

O novo estudo argumenta que, com essa quantidade de droga no sangue (1,52 mg/L de morfina livre, segundo o relatório toxicológico), Kurt estaria instantaneamente incapacitado.

Para os pesquisadores, a conta não fecha: como alguém em estado de overdose severa, prestes a entrar em coma ou sofrer parada respiratória, teria coordenação motora para:

  1. Retirar o torniquete;
  2. Tampar a seringa;
  3. Guardar o kit de drogas organizado na caixa;
  4. Empunhar uma espingarda longa (Remington calibre 20);
  5. Puxar o gatilho?

A pesquisadora Michelle Wilkins, que participou do estudo, foi direta ao ponto em entrevista: “A necrose do cérebro e do fígado acontece em uma overdose. Isso não acontece em uma morte por espingarda”, sugerindo que ele já estaria morrendo pela droga antes do tiro.

Uma cena de crime “arrumada demais”

Outro detalhe que sempre incomodou os detetives de internet — e agora os peritos — é a organização da cena. O estudo aponta que seringas com tampa e pedaços de heroína foram encontrados guardados e organizados. A lógica dos peritos é simples: suicídios costumam ser caóticos. “Devemos acreditar que ele tampou as agulhas e colocou tudo em ordem depois de injetar três vezes? (…) Essa foi uma cena muito organizada”, questionam os autores.

Além disso, há a questão da arma. A nova análise sugere que a posição das mãos de Cobain (agarrando firmemente o cano) e a ejeção do cartucho (que caiu sobre roupas no lado oposto ao esperado) indicam que a cena pode ter sido manipulada post-mortem. A teoria é pesada: Kurt teria sido forçado a uma overdose para ser incapacitado e, em seguida, baleado.

A “carta de suicídio” era um aviso de aposentadoria?

Essa é clássica entre os fãs, mas o estudo dá novo fôlego a ela. A análise sugere que a nota deixada por Kurt era, em sua maior parte, um texto sobre deixar a indústria da música e o Nirvana, e não a vida. Os pesquisadores apontam que apenas as linhas finais — que falam explicitamente sobre suicídio — destoam do resto, levantando a suspeita de terem sido adicionadas por outra pessoa com caligrafia diferente.

A resposta oficial: o caso será reaberto?

Apesar do barulho causado pelo artigo científico e da repercussão global, as autoridades de Seattle não parecem dispostas a mudar o veredito.

O Instituto Médico Legal do Condado de King e o Departamento de Polícia de Seattle mantêm a posição de 1994. Um porta-voz afirmou que a autópsia original foi completa e seguiu todos os protocolos. A posição oficial é clara: o caso permanece classificado como suicídio e não será reaberto no momento, a menos que surjam evidências irrefutáveis — e, para eles, este estudo ainda não cruza essa linha.

O contexto histórico e o FBI

Essa não é a primeira vez que a morte de Cobain é questionada. Em 2021, o FBI liberou um arquivo de 10 páginas sobre o caso, revelando cartas de fãs que imploravam por uma investigação federal, citando inconsistências como a ausência de impressões digitais na arma. Na época, o FBI respondeu protocolarmente que homicídios são jurisdição local e que não podiam intervir.

Além disso, figuras como o detetive particular Tom Grant (contratado pela própria Courtney Love na época do desaparecimento) e o documentário Soaked in Bleach (2015) já batiam na tecla de que a polícia de Seattle pode ter se precipitado ao declarar suicídio tão rapidamente, ignorando pistas que apontavam para homicídio.

Seja uma teoria da conspiração que nunca morre ou uma injustiça histórica sendo revista pela ciência moderna, o fato é que, em 2026, Kurt Cobain ainda não descansa em paz nas manchetes dos jornais.

By Wil Spiler

Formado em Design Gráfico e pós-graduado em Jornalismo e Marketing Digital, apaixonado pela cultura em geral e por esportes. Trabalhei em grandes redações como TV Globo, GloboNews, Lance!, SRzd, entre outras.

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